LUA-DE-MEL NA FAIXA
Matéria publicada na revista "Isto É Dinheiro" no dia 17 de Março.
Miriam Kênia
Quem casa nem sempre quer casa. A tradicional
lista de presentes com faqueiros e cristais para
equipar o novo lar ganhou uma versão moderna
- e mudou de endereço. Saiu das lojas de
artigos domésticos e ingressou nas agências de
viagem. Agora, os noivos anseiam por dinheiro
para bancar a tão sonhada lua-de-mel. Essa
moda de presentear com passagens, diárias e
passeios começou na Inglaterra. Os londrinos já
tem consultores especializados em arrecadar
fundos para o embarque e desembarque dos
recém-casados. No Brasil, as companhias de
turismo começam a criar departamentos
destinados à administração dos modernos
presentes de boda.
“É uma maneira de esticar a
poupança do casamento”, diz Márcio
Moreno, diretor da Traveland Viagens
e Turismo, de São Paulo. A prática
caiu no gosto das duplas que já tem
casa montada, cenário cada vez mais
comum. “Eles representam cerca de
60% dos clientes”, afirma Moreno. O
modelo também é perfeito entre os
casais que vão morar em outra cidade
ou país, logo depois da troca de
aliança. É vantajosa porque não
precisam despachar os presentes.
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O CASAL AMADEU: Priscila
e Leandro ganharam uma
viagem de núpcias para Porto
de Galinhas, em Pernambuco |
Em todas as situações, a idéia de
reduzir ou zerar os gastos com a
lua-de-mel é sempre bem-vinda. Pelas
contas da consultora de cerimônias matrimoniais Cláudia Matarazzo,
as despesas com uma festa sofisticada podem chegar aos R$ 200 mil.
Economizar no roteiro pós-festa, portanto, tornou-se aposta segura.
Um dos roteiros mais procurados pelos recém-casados, o Taiti, por
exemplo, custa cerca de US$ 5 mil. Eis uma bela poupança para o
início de vida a dois.
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O funcionamento dessa “lista lua-de-mel” é simples. O custo do
roteiro escolhido pelo casal é divido em cotas – variam de acordo com
o número de convidados. Na Traveland, em geral, os valores ficam
entre R$ 50 e R$ 500. “Os padrinhos levam até cinco cotas”, diz
Moreno. Os depósitos são feitos numa conta administrada pela
agência, mas os noivos acompanham os extratos. Tudo é feito sem
constrangimento para os pombinhos.
“No final, virou uma diversão”, lembra a psicóloga Priscila Gaspar
Amadeu, de 27 anos, que não pôs a mão no bolso para a viagem de
núpcias em Porto de Galinhas (PE). Cerca de 40 convidados lhe
brindaram com as cotas. “Ficamos na torcida até a última hora”, diz.
Ela e o marido, Leandro Amadeu, optaram pelo novo presente depois
do susto com o orçamento da festa para 400 pessoas. Porém, já
tinham listado os pedidos numa loja de decoração. Sem problemas.
Tiveram duas listas de presentes.
Roteiro B. As agências preparam dois roteiros distintos. No caso de
Priscila e Leandro, as reservas foram feitas num resort de altíssimo
luxo e outro moderado. Caso a conta presente não atingisse o saldo
suficiente para pagar as diárias mais caras, eles teriam a opção de
uma lua-de-mel 50% mais barata. Faz-se dupla reserva porque cerca
de 30% dos convidados só compram as cotas na véspera do
fechamento do pacote turístico – 10 dias antes da cerimônia.
Foi justamente na reta final que o casal pernambucano Lúcia e
Ricardo Gouveia teve uma grata surpresa. Os presentes renderam um
embarque de primeira classe para a África do Sul. Até os safaris foram
pagos com os mimos dos amigos e parentes. Bastou preparar as
malas. Nas finanças do casal, a cotização representou uma economia
que bateu nos US$ 10 mil.
Apesar do sucesso, os convidados ficaram
inseguros. A principal dúvida: como os noivos vão saber quem
participou? A agência se encarregou de fazer um cartão assinado por
todos que compram as cotas. “Se soubesse dessas vantagens tinha
me casado antes”, ri Gouveia.
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